A crise chega ao Tribunal {Conto}

Um pouco da realidade, teoria e ficção. 
Espero que goste e reflita.


Era um dia nublado, extremamente frio. Um dia daqueles em que tudo o que se quer é dormir até 12:00, acordar, tomar uma xícara de café e voltar para as cobertas para assistir um bom filme. Mas, era um dia nublado, extremamente frio, em plena segunda-feira. Havia muito trabalho esperando!

O despertador tocou 6:00 horas em ponto. Hasera abriu os olhos e se deparou com a neblina,. É claro que a preguiça bateu, mas ela não se deixou abater. Logo se levantou e se aprontou para mais um dia de trabalho.O vento gélido encontrava sua pele ao seu caminhar apressado até o carro. Ufa! Liga o carro e o vento quente do aquecedor a encontra, descongelando-a. 

Contudo, apesar de todo o frio externo, no interior de Hasera uma frase ecoava "hoje é o dia de fazer o bem"! Ok, vamos fazer o bem então, afirmava a si mesma. 

Chegando ao fórum, Hasera analisou a pauta de audiências do dia. A primeira daquele dia se iniciaria as 9:00 horas, o que lhe favorecia! Daria para tomar um bom cappuccino, com um delicioso pão de queijo antes de chamar a primeira audiência. Foi  exatamente o que ela fez.

No decorrer do expediente houve períodos em que o clima das audiências esquentou, entretanto, uma delas lhe chamou a atenção no momento em que um senhor de meia idade entrou pela porta da sala juntamente com a parte contrária, cada um com seus respectivos advogados, e a frase "hoje é o dia de fazer o bem" ecoou novamente. 

Era a audiência inicial, a tentativa de acordo seria proposta. Contudo, não foi tão simples quanto todos imaginavam que seria, visto que muitas vezes os frequentadores assíduos dos locais de justiça social esquecem que dentro das salas de audiências os maiores conflitos emocionais e sociais se passam. Dessa forma, não teria motivo para ser diferente naquele dia. 

Assim, sem mais delongas, Hasera propõe a possibilidade de acordo para as partes. Ambas se olham com o desejo de se conciliarem, mas a dor de não querer estar ali era mais profunda. O caso era que seu Justino tinha fechado seu restaurante após 40 anos de funcionamento intenso. O momento pelo qual passava era delicado, jamais imaginara ter que passar por isso e ainda mais parar na Justiça em decorrência disso.  

Seu Justino sempre foi um bom homem justo, honrava seus compromissos sem procrastinar. Mas, por uma má-sorte da economia, o movimento de seu belo restaurante havia caído, não lhe restando alternativa a não ser fechar as portas e dispensar os que sempre estiveram com ele. 

Nesse contexto, na sala de audiência, seu Justino sabia que era direito de sua empregada buscar as verbas rescisórias. Mas, por incrível que pareça todo conflito era aparente. Ambas as partes se olhavam com um carinho enorme. Não queriam resolver isso perante um órgão da justiça, mas os momentos eram de dificuldades, desemprego e caos econômico total. 

Clara, a antiga emprega de seu Justino, olha nos olhos do ex-patrão e afirma sua bondade, reconhecendo também a dificuldade pela qual ele passara e declarando a dificuldade pela qual ela também passava. Seu Justino estava disposto a dar tudo, mas seu emocional estava fortemente abalado. Não via a luz no fim do túnel. 


Hasera só pensava em "hoje é o dia de fazer o bem". Olhando tudo aquilo e verificando a mais pura verdade nas lágrimas, declarações ali prestadas e a total falta de capacidade emocional daquelas partes para firmarem um acordo sem se prejudicarem, redesignou a audiência. Assim, ambas as partes teriam um tempo para se recomporem e para que dali 15 dias estivessem frente a frente novamente para se conciliarem, pois certamente era isso que ocorreria. E que sempre deveria acontecer. 

Hasera voltou para casa aliviada por ter acordado com uma frase ecoando em sua mente e que fez total sentido no seu dia. Pensou que fazer a justiça nem sempre é resolver tudo à flor da pele só para ter um fim, mas sim resolver quando for possível da melhor forma. Entendeu que muitas vezes para que a justiça seja concreta é preciso respeitar as partes que combatem e entendê-las ao invés de simplesmente julgá-las. Na realidade, diria que sempre se deve buscar aplicar a lei com a real sensibilidade à necessidade dos litigantes. 

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O que acharam?! 
Diz aí no comentário vai! <3 

4 comentários:

  1. Você escreve muito bem!
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://nanaeosamigosvirtuais.blogspot.com

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  2. Que Conto lindo e bastante reflexivo amiga...Amei o final.
    Onde Hasera resolve da melhor maneira possível, entendendo que para se fazer justiça deve se respeitar as partes.
    Ótimo!!! Um abraço. fica com Deus


    http://embaixadoradedeus.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Dani, bem diferente do que costumo colocar aqui no blog né rsrs

      Bjoss <3

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