Não olhe para o ponto preto!


ajuste seu foco



                          Quando eu tinha uns 7 sete anos conheci a esposa do meu tio favorito. Ela era diferente das mulheres da minha família. Ela era loira, alta e se vestia como se estivesse indo para a reunião de negócios mais importante da sua vida. Eu, como uma criança, pensei que ela era a pessoa mais chique que já tinha conhecido. Logo tentei ser a garota mais comportada que ela já conheceu,para poder impressiona-la. Se ela gostasse de mim eu passaria mais tempo com meu tio. 

                           Bom, eu não sei o porquê, mas ela não demonstrou nenhum interesse em ser minha amiga. Não sorriu gentilmente, não perguntou como eu estava na escola. Só ficou lá, sentada. Respondendo vagamente o que lhe perguntavam. Como se não quisesse estar ali, nem com a minha família, nem comigo. Na hora de ir embora meu tio deixou escapar que estava pensando em me levar no shopping para tomar um sorvete com eles. Explodi de entusiasmo e disse que adoraria faze-lo se minha mãe concordasse. Ele olhou para a sua esposa sorrindo, como se pedia permissão para ela também. Ela revirou os olhos e disse que preferiria se fizéssemos isso um outro dia, pois ela não queria outra companhia naquele dia. 

                          Acho que essa foi a primeira vez que eu me senti rejeitada na vida. Me lembro de ter ficado arrasada. Eu não podia acreditar porque alguém não gostaria de ficar comigo. Não entendi porque alguns preferem seguir sem a nossa companhia. Pensei que o problema tivesse sido eu. Talvez eu não fui fofa o bastante, ou comportada o bastante. 
  Por certo vocês sabem que essa não foi a última vez que me senti. E sei que muitos se sentem assim quase todos os dias. Talvez não por uma tia indiferente, mas talvez por seus pais, ou avós, ou amigos ou por aqueles que você resolveu amar. E talvez você esteja nesse estágio do processo, sentindo que você não foi engraçada(o) o bastante, ou não consegue ser bonita(o) o bastante, ou até que você não merece que te amem. 

                          Minha mãe percebeu o que eu estava sentindo. Percebeu que eu estava mudando. Ela entendeu o porquê e fez algo bem legal. Ela pegou uma folha em branco e desenhou um ponto preto no meio da folha e me perguntou "Ju, o que você vê nessa folha?". 

                          Eu não entendi muito bem o que ela estava fazendo. A resposta era óbvia "Eu vejo um ponto preto." 

                           Ela sorriu e disse "Esse é o problema. Vamos fingir que essa folha é a sua vida, okay? O ponto preto é aquilo está dando errado. Ou no nosso caso aqui, é a pessoa que você pensa não querer estar com você. E na nossa vida, assim como nessa folha, é o que mais chama atenção. Mas por ser tão preto, não deixa que você preste atenção em todo o branco que sobra na folha. Como na nossa vida. As coisas e pessoas que nos chateiam chamam tanto atenção que não nos deixa ver as coisas boas e belas que estão na nossa vida." 

                          Essa história eu carrego comigo até hoje. As vezes nada do que planejamos parece dar certo. E nós encontramos desprezo nos olhos daqueles que nós escolhemos amar. E tudo parece estar errado e horrível. Mas, talvez, seja só a sua atenção sendo puxada para o ponto preto da sua vida. Tornando tudo o que você vê escuro e vazio. 


                          Quando isso acontecer, tente olhar para todo o espaço branco que ainda há na sua vida. Lembre-se de todas as vezes que você sentiu que não havia como fugir e Deus tomou as rédeas da situação e te deu uma nova perspectivas das coisas. Tenha esperança e saiba que você é amado por muitos à sua volta, mas mesmo que estes falharem com você, você é amado por um Deus que não comete erros, que te ama e que quer te ver feliz. 


Um comentário:

  1. Essa história dá muito o que pensar...
    Realmente ás vezes só nos focamos naquilo que é negativo, e isso não nos faz bem.
    Beijinhos**
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