Caso ainda não tenha lido a parte 1, clique aqui antes de ler esse post! <3
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| foto retirada do Google |
No post
anterior da saga "Recém-Formados" escrevi um pouco sobre o que
normalmente aflige a mente e o coração dos recém chegados ao mercado de
trabalho, de como é normal nos sentirmos sem rumo, com dúvidas quanto a montar
ou não seu próprio escritório e sobre o quão importante é a aparência aliada ao
conhecimento.
Realmente,
surpreendeu-me o número de visualizações em tão pouco tempo no post e ter o
retorno de pessoas falando que meus posts sobre minha vida acadêmica e de
trabalho os tem ajudado, é cumprir um propósito, por isso resolvi continuar a
escrever a saga "Recém-Formados". Espero que gostem e me deem dicas
do que gostariam de ler mais por aqui, ok?!
Bom,
vamos ao que interesse: HONORÁRIOS.
1) MEDO
DE COBRAR HONORÁRIOS
Não sei
se mais alguém irá se identificar, mas no começo tinha receio de cobrar
honorários, justamente por querer seguir a tabela de honorários prevista para
meu Estado. Por isso, quando chegava alguém buscando meus serviços, por
considerar o valor da tabela um valor muito alto (devido a falta de prática
iniciante), acabava me sentindo insegura e muitas vezes não acreditando que o
cliente pagaria tal valor.
Se isso é
natural, já não sei. Mas, sei de amigos que também não sabiam como cobrar e
como encaixar o valor da tabela em sua prestação de serviços. Apesar disso, te
digo: não tenha medo/receio de cobrar o valor mínimo previsto na tabela. Seu
cliente não terá receio em lhe contatar a qualquer momento depois da
contratação (e ok, isso não é um problema), muitas vezes você terá que
parar de cumprir AQUELE prazo, para atender aquela "urgência"e depois
terá que trabalhar até 23:59, correndo para não perder o dia da publicação, já
que nem sempre tudo ocorre como planejamos.
Será que
tudo isso, além de muitos outros fatores que não citem, não fazem valer a pena
cobrar o mínimo previsto na tabela da ordem? Pense.
Ter
clientes é ótimo, por isso não podemos esquecer que o Direito é o nosso
trabalho. Vivemos dele, é ele que nos sustenta através do não cumprimento dele
na vida de nossos clientes. Muitos advogados esquecem disso e talvez por isso
muitos de nossos colegas acabam recebendo propostas absurdas para trabalhar,
não é mesmo? Quem já atua, sabe muito bem do que estou falando. Se algum
advogado do outro lado da tela ainda não passou por isso, atire a primeira
pedra.
Acima de
tudo, cobre, valorize seus cinco anos de faculdade e uma vida de estudo que
terá pela frente, afinal o Direito muda constantemente e nós precisamos nos
atualizar com ele. Então, pelo bem da sua categoria profissional, de seu
reconhecimento profissional e de seu sustento, cobre, observe a tabela, parcele
em quantas vezes precisar para que o seu cliente consiga pagar, mas não
trabalhe de por migalhas que não pagarão o seu esforço. Para aqueles que não
conseguem pagar há a Defensoria Pública e não falo isso com demérito ou como
alguém que nunca ajudou um familiar do ponto de vista legal, só quero te
alertar para ter em mente que o Direito é seu trabalho.
Não se
esqueça dessas coisas, saiba indicar o melhor caminho e encontrar uma saída que
se encaixe em quem te procura, mas valorize-se e caso não queira pagar a
consulta simplesmente por luxo, como dizem por aí há o "Dr. Google"
para quem quer se iludir.
2) O
VALOR DA TABELA VALE O SEU TRABALHO
Quando
não temos experiência podemos considerar o valor da tabela de honorários
estabelecida pela OAB um valor alto, mas quando experimentamos na pele o dia a
dia para resolver os casos de nossos clientes aprendemos que o valor da tabela,
realmente, é o mínimo que vale nosso trabalho em muitos casos.
É normal
o cliente chegar no seu escritório e falar "meu caso é simples", no
início você até poderá se iludir pensando que é simples mesmo, mas quando se
colocar a pronto para resolver verá que não é tão simples assim e como já
fechou o contrato de honorários, pode ser que se arrependa. Por isso, não se
iluda, nem tudo é sempre tão simples, aliás no Direito nada é tão simples e
quando colocamos duas pessoas em litígio o simples se torna raro. Portanto,
cuidado, muita calma, analise antes de valorar seu trabalho.
Além
disso, lembre-se que o seu cliente não tem a visão ampla do processo. É nosso
trabalho o alertarmos sobre essa questão para que ele entenda o porque do valor
cobrado, visto que a maioria do trabalho de um advogado se dá a longo prazo e
de modo contínuo.
Da mesma
forma, não podemos esquecer que a elaboração da tabela de honorários da OAB já
leva em consideração o tempo de duração de um processo, complexidade da causa,
dentre outros. Por isso, não se acanhe, como eu disse, cobre pelo menos o
mínimo da tabela, nem que seja preciso parcelar em "mil" vezes
possíveis para que seu cliente consiga pagar.
Muitas
pessoas procuram advogado para que ele os oriente a resolver um problema e fim.
Sabem que precisam de um advogado, mas só querem ouvir o que ele tem a dizer e
depois virar as costas e ir embora. Elas não sabem o porque realmente precisam
contratar você, advogado, então quando essas pessoas chegarem ao seu escritório
mostre a verdadeira situação em que elas se encontram do ponto de vista legal,
os riscos que elas correm ao não te contratarem.
Mostre-se
preocupado com o caso delas, mesmo em uma simples consulta, em que
aparentemente não dará em nada. Muitas pessoas apenas querem ser ouvidas e para
elas isso basta, então seja o que elas procuram sem se desvirtuar.
Apesar
disso, infelizmente, outras pessoas, chegam falando que leram no Google que
para resolver o caso delas basta fazer "tal coisa", como se os nossos
cinco anos de faculdade e estudo contínuo não valesse nada frente ao Google.
Minha dica? Essa pessoa poderá ser aquele cliente que ao final da causa poderá
se esquivar do seu pagamento ou sair desdenhando seu trabalho, por isso,
mostre-se como um profissional de valor e avalie bem os casos que chegam à você
antes de fechar qualquer contrato de honorários.
Por hoje é só!
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